Dia do Consumo Consciente: uma reflexão sobre os nossos hábitos

15 de outubro de 2020
No dia 15 de outubro é celebrado no Brasil o Dia do Consumo Consciente. A data foi criada em 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o principal objetivo é conscientizar os cidadãos para os diversos problemas sociais, ambientais, políticos e econômicos em virtude dos padrões de produção e consumo não sustentáveis. Além de buscar reduzir o consumo, a data é um mecanismo de alerta para o fato de que um produto ou serviço deve minimizar o uso de recursos naturais, materiais tóxicos, diminuir a emissão de poluentes e a geração de resíduos.
A prática do consumo consciente aliada à bioeconomia, a qual relaciona modelos de produção que utilizam recursos naturais de maneira consciente, atende a nossa atual necessidade sem prejudicar as futuras gerações.

Fonte: ONU Brasil

O consumo consciente é indispensável na redução da pegada ecológica sobre o meio ambiente, sendo uma prática básica para o desenvolvimento econômico e social sustentável. Apesar de estar atrelado a diversas ações da Agenda 2030 da Organização dos Nações Unidas (ONU), possui um Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) só para ele. O Objetivo 12 tem como premissa “assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis”. Este objetivo prioriza a informação, a gestão coordenada, além da transparência e a responsabilização dos atores consumidores de recursos naturais como ferramentas chave para o alcance de padrões mais sustentáveis de produção e consumo. Abaixo estão elencadas as metas desse ODS.
12.1 Implementar o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis, com todos os países tomando medidas, e os países desenvolvidos assumindo a liderança, tendo em conta o desenvolvimento e as capacidades dos países em desenvolvimento.
12.2 Até 2030, alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais.
12.3 Até 2030, reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita.
12.4 Até 2020, alcançar o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e todos os resíduos, ao longo de todo o ciclo de vida destes, de acordo com os marcos internacionais acordados, e reduzir significativamente a liberação destes para o ar, água e solo, para minimizar seus impactos negativos sobre a saúde humana e o meio ambiente.
12.5 Até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso.
12.6 Incentivar as empresas, especialmente as empresas grandes e transnacionais, a adotar práticas sustentáveis e a integrar informações de sustentabilidade em seu ciclo de relatórios.
12.7 Promover práticas de compras públicas sustentáveis, de acordo com as políticas e prioridades nacionais.
12.8 Até 2030, garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza.

12.a Apoiar países em desenvolvimento a fortalecer suas capacidades científicas e tecnológicas para mudar para padrões mais sustentáveis de produção e consumo.

12.b Desenvolver e implementar ferramentas para monitorar os impactos do desenvolvimento sustentável para o turismo sustentável, que gera empregos, promove a cultura e os produtos locais.

12.c Racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam o consumo exagerado, eliminando as distorções de mercado, de acordo com as circunstâncias nacionais, inclusive por meio da reestruturação fiscal e a eliminação gradual desses subsídios prejudiciais, caso existam, para refletir os seus impactos ambientais, tendo plenamente em conta as necessidades específicas e condições dos países em desenvolvimento e minimizando os possíveis impactos adversos sobre o seu desenvolvimento de uma forma que proteja os pobres e as comunidades afetadas.

O instituto Akatu realizou uma pesquisa em 2018 com o objetivo de traçar um panorama do consumo consciente no Brasil, apresentando desafios, barreiras e motivações. Com base na pesquisa foi elaborado o Teste do Consumo Consciente (TCC), que envolve alguns comportamentos desafiadores para alcançarmos um estilo de vida mais consciente e sustentável, alguns deles são: ler atentamente os rótulos antes de comprar algum produto; pedir nota fiscal (cupom fiscal) quando vai às compras, mesmo que o fornecedor não o ofereça espontaneamente; separar os resíduos (lixo) de casa para reciclagem, mesmo não havendo coleta seletiva; fechar a torneira enquanto escova os dentes; esperar os alimentos esfriarem antes de guardar na geladeira; evitar deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados; desligar os aparelhos eletrônicos quando não estiver usando; planejar as compras (alimentos e roupas), entre outros.
O relatório “Perfil do Consumidor: Consumo Consciente”, publicado neste ano pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentou que cerca de um terço dos brasileiros estão preocupados com os métodos de produção e entre 2013 e 2019, o número de brasileiros que pratica reciclagem e descarte correto de lixo aumentou, indicando uma maior conscientização da população.
O gráfico abaixo apresenta a disposição do consumidor a pagar mais por um produto ambientalmente correto. É possível notar que Independentemente da faixa de renda, 10% dos brasileiros optariam pelo produto ambientalmente correto mesmo que fosse muito mais caro. No entanto, a renda começa a ser relevante quando se trata de uma diferença de preço menor.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI, 2020)

Podemos observar que ainda existem alguns gargalos como o preço alto de produtos sustentáveis, a necessidade de mais informação sobre impactos ambientais e sociais do consumo, mudança nos hábitos da família e dificuldade para encontrar e entender mais sobre produtos sustentáveis.
A confiança e a transparência são fundamentais em todo o processo, pois é preciso entender a escolha da matéria-prima pelo fabricante, instalação da indústria, regime de trabalho e condições da produção e equipe, dentre outros aspectos de produção e comercialização.
Além dos impactos positivos no meio ambiente e na sociedade, o consumo consciente pode provocar maior capacidade de planejamento e economia, pois muitas vezes os produtos podem ser mais caros, mas a durabilidade é muito maior, ou seja, ao longo do tempo é possível gastar menos e comprar apenas o necessário.
Conhecendo o trabalho de ONGs que atuam na temática de consumo consciente
A ONG Parceiros do Mar é uma instituição paranaense fundada em 2012 que atua com a promoção de ações de proteção do oceano e dos ambientes costeiros em conjunto com a comunidade, em busca de um equilíbrio entre o ambiente e atividades socioeconômicas locais. Dentre as ações, destacam-se os mutirões de limpeza de praia, palestras em instituições de ensino e participação em eventos com o intuito de sensibilizar a população sobre os impactos da ação humana nos oceanos, buscando semear nos cidadãos a vontade de garantir a preservação dos ambientes costeiros e da vida.
De acordo com Paula Turra Grechinski, cofundadora da ONG, atualmente todas as ações da organização são voltadas direta ou indiretamente ao consumo consciente, seja em campanhas ou ações específicas. Como exemplo o incentivo à reutilização de copos e canudos ao invés do uso de descartáveis, divulgação de informações nas redes sociais sobre consumo consciente, palestras em empresas e instituições de ensino e mutirões de limpeza, que consistem em ações educativas para quem participa, além de promover o consumo consciente.
Outra ONG que atua diretamente na bom consumo consciente, que assim como a Parceiros do Mar também é parceira da FreeHelper, é a Juventude Lixo Zero. Em forma de um movimento internacional e independente, organizado por jovens e focado em integrar e capacitar nossa geração para um mundo mais sustentável por meio de ideias e práticas Lixo Zero, que como um todo convergem para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU.
Mônica Gomes Schwartz da Silva, analista de projetos na organização, afirma que o grupo possui um calendário global de ações, onde para cada mês é designado um tema para facilitar a criação de eventos, cursos e conteúdos educacionais. Além disso, o grupo realiza mutirões de limpeza em praias, eventos voltados para a sustentabilidade e redução do plástico e projetos de reformulação de cooperativas de reciclagem em Florianópolis.

Texto escrito em parceria com Youth Action Hubs

Gabriela Maia

Engenheira Florestal

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2018. Atualmente cursa MBA em Gestão Ambiental pela UFPR e trabalha na Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE). Participa do Youth Action Hub (YAH), no desenvolvimento de projetos vinculados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e na organização social TETO Paraná, na área de Formação e Voluntariado.

               

Equilíbrio entre vida e trabalho em tempos de covid-19.

19 de novembro de 2020

continue lendo

A Arte como instrumento de formação: ODS, diversidade e inclusão social

12 de novemb

continue lendo

Entre em contato conosco

Envie um e-mail para contato@freehelper.com.br

Cadastre-se