Como manter uma boa gestão financeira

22 de abril de 2021
O fato de que é preciso se organizar e planejar financeiramente você já deve ter ouvido diversas vezes. Mas já parou para avaliar a importância que esse tipo de comportamento tem para sua vida e, consequentemente, para suas tarefas profissionais, gerenciamento em ONGs ou mesmo nas atividades de voluntariado?
Ao tratarmos de planejamento e gestão financeira, apesar de soar bastante técnico, no fundo, tudo depende de características emocionais! Portanto, é sempre bom refletir sobre seus hábitos e posturas.
Primeiramente, acho importante esclarecer que a seguir serão expostas dicas gerais de como ter uma boa organização financeira. Essas dicas são abrangentes e visam atingir o maior e mais variado público possível. Por isso, fica um convite a você de aplicá-las no ambiente em que identificar ser mais oportuno.
Em outras palavras, se você está percebendo uma carência de organização financeira na gestão da ONG pela qual é responsável, ou está inserido, as dicas serão bem-vindas por lá. Mas, se o seu caso for de confusão em gestão financeira pessoal, abuse das dicas para você mesmo.
Para começar, gostaria de compartilhar minha visão sobre como os indivíduos na idade adulta (em um cenário de já obterem algum tipo de remuneração própria) se dividem em relação às questões de organização e gestão financeira. Para mim, são três grandes grupos: (A) os que não fazem qualquer planejamento, controle, gestão de suas finanças pessoais; (B) os que desejam se organizar, mas não conseguem e (C) os que já se planejam e organizam (e que, por isso, colhem ótimos frutos).
Em qual desses grupos você diria que se enquadra?
Se identificar que está no grupo C, meus parabéns! Isso é um forte sinal de que você não faz parte dos 67,5% da população brasileira que se encontra endividada! Esse dado é de agosto de 2020 como resultado de pesquisa em série com divulgação mensal, coordenada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A mesma pequisa mostrou que o nível de inadimplência, ou seja, do famoso “calote”, é de 26,7%. Isso quer dizer que se juntarmos 10 pessoas no Brasil 7 delas provavelmente possuem dívidas e 2 delas estão devendo “na praça”.
Assim fica claro que quem se organiza financeiramente conquista muitos benefícios, já que possui o pagamento de suas contas em dia. Um alívio psicológico de não estar “no vermelho” é automaticamente desenvolvido. Ser precavido traz grandes vantagens, e sabemos disso desde antes dos tempos bíblicos. Foi justamente essa busca pela organização que nos diferenciou dos demais animais e nos fizeram progredir para como estamos hoje enquanto sociedade.
Porém, parece que insistimos em permanecer nos grupos A e B. Mas qual a razão disso? O que vejo como grandes restrições são, muitas vezes, questões comportamentais, como gatilhos e maus hábitos, os quais se tornam empecilhos para a própria organização. Alguns exemplos são a preguiça, a procrastinação e a indisciplina. Para muitos, seja fruto da criação ou de más experiências vividas com o dinheiro, parece haver um bloqueio ou um desgosto em preservar a “assepsia financeira” para poder gerir melhor suas finanças.
Existem diversos trabalhos de pesquisas sérias referentes às chamadas “finanças comportamentais”, evidenciando cada vez mais a correlação entre os sentimentos, os hábitos e os costumes de pessoas frente à gestão financeira. Uma simples busca no Google te retornará diversos artigos, teses de universidades e um rico material caso esteja disposto a se aprofundar no tema.
Portanto, conforme comentamos, a busca pelo planejamento e organização financeira é algo que poderá te proporcionar muito mais que simples resultados monetários. Além de fazer você deixar a inércia, terá objetivos e metas mais claros, o que poderá te motivar mais a alcançá-los, ajudando a compreender os passos que precisam ser dados.
Abaixo compartilho três ideias simples e minha proposta é que você procure as encaixar em seu perfil e também onde julgar que retornará benefícios. São simples, mas, se bem aplicadas, podem ser poderosas. Tratam muito mais da rotina e de ritmo que de alguma técnica misteriosa. Porque, no fim do dia, o que precisamos é de boa disposição, força de vontade e disciplina para nos mantermos na trilha de sucesso da gestão financeira.
Pensando em pizza!
Não, não é daquele prato favorito de sábado à noite que estamos falando! E sim de porcentagens! É importante na gestão financeira que se pense em percentuais. Ou seja, como pedaços de uma pizza, ou frações. Imagine que todo os seus recursos financeiros são como a pizza completa. Você precisa separar os pedaços por sabores ou, então, categorias.
Ao fazer isso, naturalmente, você define a finalidade de cada categoria. Isso ajuda muito, pois o que você está fazendo é definir cada meta para cada recurso. Essa etapa é fundamental para que seu planejamento tenha sucesso.
Quanto dos seus recursos será usado para os custos do dia a dia? Quanto será usado para o futuro, ou para crescimento? Quanto será destinado para algum objetivo de curto prazo (próximos meses)?
Se você deseja fazer uma reforma nos próximos meses, por exemplo, qual o percentual das suas receitas que será destinado para isso? Quanto será guardado em um caixa caso aconteça alguma emergência?
Dessa maneira, você visualiza suas obrigações, seus planos e consegue definir limites de gastos ou alocações para cada um deles.
Disciplina, disciplina, disciplina
Uma vez que você possui suas metas definidas, não tem caminho fácil: disciplina é o que você vai precisar! Uma dica muito importante é a mentalidade do “pague-se primeiro”. Toda vez que você receber uma entrada de recurso, use da disciplina para imediatamente alocar os valores aos objetivos que você traçou.
Por exemplo, se você colocar como objetivo que uns 10% dos seus recursos serão usados para investimentos futuros, outros 20% para uma compra de curto prazo (como uma geladeira ou um carro) e que outros 70% serão usados para os custos do dia a dia, assim que você receber, supondo, R$ 1.000,00, imediatamente mova R$ 100 para uso futuro (poderá ser colocado em alguma outra conta digital ou em um investimento no banco, por exemplo), R$ 200 para a poupança de curto prazo e fácil saque, e os outros R$ 700 para a conta corrente de uso corriqueiro.
A palavra-chave é “imediatamente”. Quando você pratica o “pague-se primeiro” você evita de utilizar os recursos em um objetivo diferente daquele que você tinha planejado inicialmente. É uma boa maneira de se manter disciplinado.
Talvez a chave do sucesso esteja aqui: uma vez traçado um plano, segui-lo à risca e com disciplina é o que te levará às grandes conquistas. Como dica adicional, busque selar um compromisso consigo mesmo, o de ser disciplinado. Isso trará ainda mais responsabilidade e força de vontade à tarefa do “pague-se primeiro” e te ajudará a se manter firme nos propósitos traçados.
Acompanhamento
Assim como uma semente plantada precisa de cuidados para se tornar aquela árvore forte que floresce e dá frutos, a gestão financeira só vai te trazer resultados se você cuidar dela. Dessa forma, o acompanhamento é vital para que as coisas sigam conforme o planejado.
Para te ajudar, você pode criar lembretes mensais para avaliar suas metas e seu desempenho e dedicar algumas horas da semana para tomar nota das entradas e saídas de recursos. Procure também baixar aplicativos em seu celular que separam a visualização de suas carteiras.
Ampliar sua visão e inserir as facilidades tecnológicas no acompanhamento da gestão financeira é praticamente obrigatório nos dias de hoje. Há diversos aplicativos, sites e dispositivos que podem te ajudar com isso, desde os mais genéricos (que funcionam como um bloco de notas adaptado e que te dão liberdade para anotar qualquer coisa) aos mais específicos (como aplicativos, muitas vezes pagos, dedicados à gestão de um negócio).
Gastar algumas horas organizando como será esse acompanhamento pode ser extremamente rico e valioso para você garantir prosperidade em sua gestão financeira.
Há diversas formas de acompanhar o que vem sendo planejado, mas o importante é não deixar de criar uma rotina que fará com que você se mantenha efetivamente organizado, disciplinado e ciente a respeito da sua gestão financeira. Escolha métodos que te façam pensar: ela está no caminho certo? Preciso fazer algum ajuste?
Busquem aplicar as dicas deste artigo às pequenas e também às grandes coisas. Torço para que possam ter uma organização financeira mais aprumada e que isso traga benefícios para os gerenciamentos de sua ONG, de seu trabalho e de sua vida pessoal.

André Teixeira

Engenheiro de Produção

Formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Mestre em Ciência dos Materiais pela mesma Universidade. Atua há 10 anos no mercado de trabalho em multinacional americana, na área de Engenharia de Processos. Mais de 20 anos de experiência em trabalhos voluntários ligados à instituição religiosa.

               

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