A conexão do voluntariado com a juventude

12 de junho de 2020
De acordo com o conceito exposto pela Lei nº 9.608 de 18 de fevereiro de 1998, que trata sobre o serviço voluntário, posteriormente alterada pela Lei nº 13.297 de 16 de junho de 2016, o serviço voluntário é definido como:
“considera-se serviço voluntário, para os fins desta Lei, a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa.”
Sendo assim, em outras palavras, o voluntário é aquele que oferece serviços de forma não remunerada, em benefício da comunidade, doando seu tempo e conhecimento, por motivação e vontade própria.
Atualmente no Brasil, segundo dados do IBGE, 7,2 milhões de pessoas estão envolvidas em atividades voluntárias, o que representa apenas 4,3% da população com 14 anos ou mais. Apesar de ter caráter inclusivo, o trabalho voluntário ainda é realizado em sua maioria por mulheres com ensino superior completo e com mais de 50 anos de idade. A juventude representa pouco mais de um quarto da população que realiza trabalhos voluntários. Mais informações sobre o atual panorama do voluntariado brasileiro você pode encontrar no artigo da Mariana Savaris, aqui no blog.
No ano passado, o Governo Federal lançou o “Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado”, instituído pelo Decreto nº 9.906 de julho de 2019, seguidamente alterado pelo Decreto nº 10.194, de 30 de dezembro de 2019. O programa promete criar benefícios para quem atua como voluntário no país, e consequentemente estimular a introdução de jovens em atividades voluntárias. As principais competências do plano incluem parcerias que visam a integração da base da dados sobre entidades que realizam atividades voluntárias, bem como mobilização, divulgação e promoção destas atividades e desenvolvimento de suas estatísticas, além de aumentar a visibilidade e fomentar estudos e pesquisas sobre o voluntariado.
Entre os benefícios propostos aos voluntários, conforme Art. 18, estão:
As horas de atividades voluntárias poderão ser aproveitadas conforme disposto em regulamento para, entre outras utilidades:
I - como critério de desempate em concursos públicos da administração pública direta, autárquica e fundacional;
II - em processos internos de promoção nas carreiras da administração pública direta, autárquica e fundacional;
III - em programas educacionais fomentados pelo Poder Público federal e nos programas educacionais de ensino federal, estadual, municipal e distrital.
Além dos benefícios previstos em lei, o voluntário também desenvolve habilidades e comportamentos bastante significativos, como responsabilidade, senso crítico, comprometimento, comunicação e liderança. Mais informações sobre o voluntariado como estratégia no mercado de trabalho podem ser encontradas na matéria da Tassia Jansen, aqui no blog.
E os benefícios do serviço voluntário para as comunidades?
A UNVolunteers, órgão das Nações Unidas responsável por fomentar e estudar o voluntariado no mundo, lançou em 2019 o relatório sobre o Estado do Voluntariado no Mundo – 2018. O documento tem como base uma pesquisa de campo realizada com 1200 participantes em 15 comunidades diversas. No resumo do relatório, foram pontuados resultados do panorama mundial, no que diz respeito à interação do voluntário e a comunidade. Os principais resultados apontaram que:
• O voluntário local é uma estratégia fundamental e está presente nas comunidades resilientes; favorece estratégias coletivas para gerenciar e lidar com riscos e crises; e é capaz de impulsionar ou diminuir a resiliência da comunidade sob diferentes condições.
• O voluntariado foi considerado importante principalmente para os grupos mais vulneráveis e marginalizados, e a colaboração eficaz com voluntários pode fazer com que o serviço voluntário passe de um mecanismo de resposta para um recurso estratégico da resiliência comunitária.
Entendemos que o trabalho voluntário impacta tanto quem o pratica quanto quem o recebe, mas não é um trabalho fácil: exige dedicação, paixão e comprometimento. O voluntário precisa estar preparado para enfrentar situações divergentes, principalmente se pretende mudar a realidade das coisas. O processo de transformação social engloba diversos fatores e o voluntário precisa estar motivado e entender que ele é parte desse processo.
Os jovens representam atualmente um quarto da população brasileira. Esses jovens de hoje, me incluo neste universo, têm crescido num mundo conectado, sem fronteiras e sem limites. Somos uma geração cheia de energia, imediatista e insegura - de certa forma desconfiamos da nossa sociedade.
Ser jovem significa sair da zona de conforto e descobrir que somos agentes de transformação social. Se desejamos mudanças na sociedade, precisamos mudar nossos comportamentos e, acima de tudo, ter consciência da nossa responsabilidade social.
Um exemplo dessa responsabilidade é quando falamos em devolver o investimento dos nossos estudos à sociedade, e uma forma de realizar esse compromisso é através do trabalho voluntário. Este pensamento, abordado por P. Felipe Berríos, faz todo sentido frente ao papel do jovem na sociedade e como o trabalho voluntário faz parte desse processo.
O voluntariado jovem é uma forma de multiplicação de ideias e ações. Ao realizar um trabalho voluntário, o jovem vivencia problemas sociais e acaba enxergando uma realidade muito diferente da sua, para finalmente começar a entender os conceitos de cidadania e responsabilidade social na prática. Desta forma, esse jovem torna-se mais responsável, solidário, consciente dos problemas da sociedade e comprometido com a transformação positiva da sua comunidade.
A inspiração para realizar um trabalho voluntário pode ter diversas origens, mas o que realmente importa é o impacto dessa atividade, tanto para quem a realiza quanto para quem a recebe. O voluntariado é uma troca que transforma pessoas e, se transforma pessoas, pode transformar sociedades. Os jovens são os agentes certos para essa transformação e essa experiencia é perfeita para seu próprio desenvolvimento.

Texto escrito em parceria com Youth Action Hubs

Gabriela Maia

Engenheira Florestal

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2018. Atualmente cursa MBA em Gestão Ambiental pela UFPR e trabalha na Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE). Participa do Youth Action Hub (YAH), no desenvolvimento de projetos vinculados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e na organização social TETO Paraná, na área de Formação e Voluntariado.

               

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