Voluntariado como porta de entrada para prática profissional e desenvolvimento de soft e hard skills.

28 de outubro de 2021.

Vou iniciar este texto definindo os termos soft skills e hard skills, os quais hoje são ampla e comumente utilizados no meio corporativo, treinamentos e diversos meios de comunicação:

Soft skills: são habilidades sociocomportamentais, características emocionais e a capacidade de lidar com situações do cotidiano; a habilidade de lidar com questões sentimentais e emoções. Algumas dessas características emocionais são: comunicação interpessoal, proatividade, capacidade de persuasão, de resolução de conflitos, de trabalhar em equipe, analítica, de liderança etc.

Hard skill: são habilidades que podem ser adquiridas através de capacitações diversas, como habilidades profissionais, técnicas e outras. É possível identificar nelas o impacto e seus resultados através, por exemplo: conhecimento em idiomas, graduação, cursos técnicos, mestrados, doutorados, especialização em máquinas ou conteúdos diversos, conhecimento em tecnologia etc.

Para as empresas, essas duas frentes possuem grande importância, pois são características que se aplicam a diversos cargos e podem diferenciar os profissionais de destaque ou que possuem bom desempenho nas entregas e resultados, pois a combinação entre elas é muito comum no cotidiano.

Geralmente, nos processos seletivos e descritivos de vagas são exigidas uma série de habilidades que transitam entre as soft e hard skills. Cargos mais técnicos tendem a ter exigências maiores nas hard skills, enquanto em cargos de liderança e processos de mais interações sociais as soft skills encontram destaque.

Comumente se encontra no mercado corporativo a divisão dos profissionais entre juniores, plenos e seniores. Fatores que diferenciam esses profissionais são um mix de menor ou maior desenvolvimento das soft e hard skills, de acordo com o cargo e atuação exigidos tanto pela empresa quanto pelos resultados esperados.

Aqui é possível identificar algumas situações em que o voluntariado se faz ser uma excelente oportunidade para desenvolvimento tanto das soft quanto das hards skills. Não é novidade a importância do voluntariado para as OSC (Organizações da Sociedade Civil): De acordo com a plataforma 'Mapa das Organizações da Sociedade Civil', “as OCSs são entidades/grupos nascidos da livre organização e da participação social da população que desenvolvem ações de interesse público sem visar ao lucro” (O que são Organizações da Sociedade Civil – OSC e MROSC?).

Em 2019, 6,9 milhões de pessoas no país realizaram algum trabalho voluntário, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Em 2018, eram 7,2 milhões. Esse número representa apenas 4% da população, o que é baixo se comparado a outros países. Por exemplo, nos EUA cerca de 30% da população dedica-se a algum trabalho voluntário.

Assim como a FreeHelper, há outras diversas portas de entrada para o trabalho voluntário. São grandes as oportunidades: causar impacto social, agregar valor, aplicar novos conhecimentos adquiridos e desenvolver as soft e hard skills. Se olharmos pelas entidades, também são várias as oportunidades, como: resolução de problemas, potencializar resultados e desenvolver novos projetos.

O trabalho voluntário pode ser:

● Pontual: geralmente dura pouco tempo, tem data inicial e final e, em alguns casos, objetivo bem definido, tais como: pintura e reforma de algum espaço, palestra para público atendido pela entidade, entrega de bens materiais, evento de data comemorativa etc.;

● Recorrente: aquele que acontece periodicamente e já é mapeado pelas entidades, podendo possuir, ou não, datas específicas, tal como uma ação de contar histórias, semanalmente, para crianças, fechamento contábil anual, gerenciar redes sociais, captação de recursos etc.

Também encontramos o cenário de etapa ou frente de impacto do trabalho voluntário, como:

● as atividades-fim (causam impacto diretamente nos beneficiários da entidade);

● atividades-meio (institucional): trabalhos voluntários em áreas administrativas, de recursos humanos, serviços estruturais etc.;

● Atividades de habilidades específicas: como, por exemplo, construção de um site, suporte jurídico e financeiro, assistência social etc. Aqui a exigência em conhecimento, muitas vezes de maior peso nas hard skills são fatores decisivos para atuação dos voluntários.

Observando o mercado de trabalho, vemos cenários tanto de jovens profissionais quanto de profissionais em áreas já estabelecidas buscando novos conhecimentos; é natural o profissional que possui grande especialização em um eixo de habilidades técnicas e comportamentais buscar, em paralelo, novas habilidades que complementam suas atuais habilidades e competências.

O terceiro setor possibilita uma oportunidade ímpar, não somente para os jovens profissionais, mas também àqueles com suas carreiras já estabelecidas que estão em processo de aprendizado ou aquisição de novo conhecimento. Tanto para voluntariado pontual quanto para o recorrente.

Como exemplo, vamos considerar um jovem, ainda sem experiência profissional, que possui conhecimento técnico em determinada área, por exemplo, um programador. O projeto de idealizar um site para uma OSC é uma excelente oportunidade de colocar em prática o conhecimento adquirido e, principalmente, para a criação de um portfólio de trabalho - coletânea de projetos realizados.

A utilização da tecnologia é um forte aliado para atuação das entidades do terceiro setor, possibilitando a expansão da visibilidade, transparência operacional e uso e dados para a tomada de decisão e fortalecimento da imagem institucional.

Um excelente exemplo do impacto digital são as ações do Gerando Falcões, que realizou uma intensificação, com a tecnologia como aliada, em seus projetos visando atingir mais famílias:

● Utilização de cartão alimentação para a distribuição de cesta básica;

● Implantação de sistemas no Financeiro + RH + na Prestação de Contas das Aceleradas, aumentando a transparência dos processos;

● Estruturação da área de dados e construção do Data Lake – um armazenamento dos dados da GF;

● Bolsa Digital #DoeuumFuturo;

● Mídias Sociais com analytics, utilizando dados para aumentar a visibilidade da GF e assim conseguir captar mais doações;

Falcons University – Seleção e formação, de forma totalmente digital, dos líderes sociais e dos Jovens, ajudando a compreender como a GF pode ajudá-los a se desenvolver ainda mais.

A pandemia do COVID-19 acentuou outro setor de grande oportunidade e, principalmente, impacto: o educacional. O Relatório do Banco Mundial, levantou indicadores e resultados importantes sobre o impacto do coronavírus na educação: duas a cada três crianças podem não aprender a ler adequadamente um texto simples aos 10 anos de idade - até 70% das crianças podem não aprender a ler. Causando um impacto de 1,3 anos na escolaridade dessas crianças a serem recuperadas.

Na América Latina e Caribe há 170 milhões de estudantes com crise de aprendizado e grandes problemas na qualidade e equidade da educação. Apoiar os projetos voluntários educacionais poderá ajudar o país como um todo nessa necessidade que já estava em condições alarmantes, mas que foi e será ainda mais intensificada com a pandemia do Covid-19.

Esses são alguns exemplos, dentre tantas outros, de possibilidades de atuação voluntária. Identifique uma causa que chame sua atenção e que admire, seja ela educação, assistência social a crianças ou adultos, auxílio aos refugiados, pessoas em situações de rua, capacitação profissional, ambientais, de animais abandonados, direitos humanos, pessoas com deficiência etc.

Uma opção é pesquisar na internet vagas abertas para voluntariado. Caso nunca tenha feito trabalho voluntário, utilizar a plataforma da FreeHelper e optar por uma atividade pontual, pode ser uma boa escolha.

Procure em seu bairro, cidade ou região por locais que possam despertar seu interesse em uma determinada área de atuação. Há uma base de dados que pode te auxiliar nesta busca: o Mapa das Organizações da Sociedade Civil, em que, através de diversos filtros, é possível identificar as OSCs em alguma região de interesse.

Os cenários das entidades são um campo de possibilidades inumeráveis, dificuldades diárias e próximas da realidade de muitas organizações, com seus desafios, resultados e projetos diversos. É uma porta de entrada para ganho de experiência e, principalmente, para desenvolver habilidades de liderança e interpessoais, sendo comum a atuação voluntária em algumas pessoas despertar o interesse no empreendedorismo social ou até mesmo por carreira direcionada a temas e o universo do terceiro setor, que possui seu papel essencial no desenvolvimento econômico e diversos ecossistemas de consumo e distribuição de renda.

A realidade do terceiro setor é de grande valia para o desenvolvimento pessoal, profissional e para as interações pessoais, tanto pela criação de rede de relacionamento, contato com indivíduos de objetivos e valores semelhantes quanto, principalmente, pela possibilidade de troca de conhecimento.

Vitor Diego Ramos

Gerente de Desenvolvimento de Negócios

Atua na iniciativa privada com implementação, desenvolvimento e gestão de operações de varejo e corporativa. Voluntário no Code Club Brasil no time de coordenação nacional e líder de um clube de programação. Voluntário no Brasil Cursinhos como Assessor de Dados, atuando com desenvolvimento de relatórios, análises de dados e projetos diversos em Data Science.

               

Dados interessantes sobre os 10 anos da Campanha Novembro Azul

18 de novembro de 20

continue lendo

Direito Animal: uma nova visão sobre os animais não-humanos

11 de novembro de 2021.

continue lendo

Entre em contato conosco

Envie um e-mail para contato@freehelper.com.br

Cadastre-se