O Futuro do Trabalho

29 de outubro de 2020
Vivemos em tempos de mudanças disruptivas, sendo elas em nossa vida pessoal ou profissional. E é normal surgirem dúvidas sobre como serão os novos hábitos e práticas, sejam eles no âmbito profissional ou pessoal. Com isso, podemos pensar em duas grandes perguntas para esse tempos tão incerto e em que a velocidade da mudança é mais rápida do que a própria mudança: “como poderemos nos adaptar às mudanças do mercado?” e “quais serão essas mudanças, tendências e atuais movimentações?”, levando em consideração toda a instabilidade vivenciada no mundo pós-pandemia e com a tecnologia fazendo-se cada vez mais presente em nosso dia a dia.
Partindo dessas perguntas, quatro elementos fundamentais para as novas movimentações do mercado de trabalho, segundo pesquisa da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), vêm à mente, são eles: 1) novos empregos e ocupações criadas; 2) alguns trabalhos desaparecerão como resultado da automação; 3) condições de trabalho serão afetadas; 4) mais trabalhos necessitarão de habilidades digitais.
Tendo em vista esse novo cenário, podemos notar o crescente investimento de grandes empresas em processos seletivos que obtêm melhores índices de aproveitamento e eficiência nas contratações para seus postos de trabalho. Este investimento também se tornou viável a partir do estopim de uma crise global sanitária e econômica onde se faz necessária a contratação de profissionais competentes mesmo a distância, valorizando dessa forma o processo seletivo para a empresa e para o candidato, com a eliminação de deslocamento até a empresa por parte do candidato, por exemplo.

Imagem: Kvalifik, Unsplash, 2020.

Com todo esse “novo normal” que estamos vivenciando, termo demasiadamente utilizado por empresas e colaboradores, e com os avanços tecnológicos iminentes, é importante citar a necessidade de humanizar nossos processos à medida em que realizamos automações e melhoria contínua, uma vez que estes tendem a se tornar cada vez mais robotizados e sem a necessidade direta de intervenção humana.
Dito isso, passamos a analisar o ingresso dos novos membros no mercado de trabalho, os conhecidos como “Millennials” (nascidos em 1981-2000) e a “Geração Z” (nascidos em 1995-2019) – termo geracional para novos hábitos de consumo e vivência em sociedade.
Segundo pesquisa realizada pelo Itaú Unibanco (2019), aproximadamente 34% da população brasileira (70 milhões de pessoas) faz parte do grupo geracional de Millenials, e aproximadamente 24% da população brasileira (51 milhões) faz parte do grupo geracional da Geração Z. Esses dados evidenciam um aspecto que possivelmente impactará a nova economia e, consequentemente, os novos trabalhos: os jovens estão ingressando ao mercado de trabalho.
E, com isto, é importante dar clareza à análise desse ambiente com alguns novos questionamentos:
“Nossa juventude está preparada para as competências técnicas e interpessoais necessárias para lidar com os desafios da transformação digital?”
Segundo análise de José Pastore, Presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio/SP, os desafios para inserção dos jovens no mercado de trabalho ainda são maiores que a própria capacitação destes. Em outras palavras, o mercado ainda não traz oportunidades fidedignas para inserção de jovens talentos, pois os custos sociais para contratação de jovens inexperientes tornam-se os mesmos se comparados à contratação de mais velhos com experiência.
“Como as pessoas que já estão dentro do mercado poderão se aperfeiçoar ao ‘novo normal’?”
Pode-se considerar que se faz mais importante a capacidade e competências comportamentais dos candidatos e colaboradores que a própria formação ou instituição de ensino. Pois com a nova demanda crescente do mercado por agilidade entende-se que se cria maior valor por meio de habilidades como resiliência, foco por resultados, empatia, dentre outras, que habilidades técnicas que podem ser ensinadas em um determinado momento da jornada desse profissional.
Levando em consideração o exemplo acima, podemos mencionar que o profissional do futuro não deverá apenas ter mais qualidades técnicas, mas sim um foco de aprendizagem contínua – o que pode ser relacionado com técnicas de Learning Agility.

Imagem: Juliana Sikora, 2019.

Por fim, faço parte desse grupo de jovens da “temida e tecnológica” Geração Z, a qual é composta por profissionais que estão no estágio de ingresso ao mercado de trabalho. A grande revelação sobre todas essas movimentações e o impacto que causam à sociedade e às corporações é que não há receita pronta, seja na geração de oportunidades para novos ingressantes no mercado de trabalho ou para experientes profissionais que precisam se reinventar à medida em que a inovação e a transformação digital “batem à porta”.
Algo que pode ser trazido como direcionamento é que possivelmente novos problemas irão surgir com as mudanças previstas, porém também serão criadas diversas oportunidades, sejam para jovens ou experientes profissionais. Um exemplo corporativo de tal afirmação é a integração que a Cervejaria Ambev tem em seus programas de trainee, já que traz jovens para perto da organização e enquanto os treina para que futuramente possam atingir níveis de desenvolvimento jamais vivenciados antes.
Todo este processo de integração entre novas gerações (Millennials e Geração Z) com gerações passadas (BabyBoomers e Geração Y) transita por meio de uma cultura organizacional voltada tão somente a resultados.
Em suma, enfrentaremos desafios no decorrer dos próximos anos. Podemos ver que transformações já estão acontecendo, mas com exemplos claros e aplicáveis poderemos seguir rumo ao desenvolvimento contínuo de nossas sociedades e empresas.

Texto escrito em parceria com Youth Action Hubs

João Paulo Oliveira

Analista de Processos

Tecnólogo em Processos Gerenciais pela Faculdade ISAE Brasil e pós-graduando em Liderança e Inovação pela Fundação Getulio Vargas, faz parte do Youth Action Hub (YAH) e representa o ISAE Escola de Negócios como conselheiro júnior no Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema FIEP e compõe o quadro de membros representantes no Comitê de Benchmarking para Excelência na Gestão do Paraná (CBEG). Foi representante nacional no programa Business and Social Impact in Emerging Markets em 2018, participando do estudo de economias emergentes e o desenvolvimento sustentável internacional. Atualmente trabalha como Analista de Processos de TI no ISAE Escola de Negócios conveniada da Fundação Getulio Vargas.

               

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