O futuro da criança depende dos cuidados no presente

06 de agosto de 2020
Albert Einstein disse o seguinte: a palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes. Crianças. Sabemos bem que o futuro do amanhã depende delas. Mas, onde estão? Ao que tudo indica, há um diplomata nascendo hoje; há uma presidente aprendendo a andar; há revolucionários praticando a fala. Mas estas e outras crianças podem estar em qualquer lugar do mundo passando necessidades tão extremas e vivendo em condições tão precárias que acabam por nascer apenas para sobreviver.
Há crianças em meio a conflitos armados. No Afeganistão, no primeiro semestre de 2019, as vítimas infantis representaram quase um terço do total geral de vítimas civis, com 327 mortes e 880 feridos. Na República Árabe da Síria, durante o famoso conflito de nove anos, 7.000 crianças foram mortas ou mutiladas desde seu início, constatou a ONU. Na Somália as crianças continuam sendo as mais afetadas pelas crises: mais de 5.200 crianças foram vítimas de violações graves, só em 2018. Esses números existem apesar de planos de ação decretados pelo Conselho de Segurança da ONU.
Em 1946, para amparar as crianças europeias, com fornecimento de alimentos, roupas e cuidados com a saúde, após a Segunda Guerra Mundial, foi fundado o UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância. Seis anos depois de sua criação a agência passou a fazer parte, oficialmente, da ONU. E em 1959 a ONU adotou a Declaração dos Direitos da Criança. No documento constam definidos os direitos à proteção, educação, assistência médica, abrigo e boa nutrição.
Declaração dos Direitos da Criança – direitos violados
A Declaração prevê que toda criança tem direito à saúde, educação e proteção, e toda sociedade tem interesse em expandir as oportunidades da criança na vida. No entanto, milhões de crianças não possuem sequer uma chance. Com suas famílias lutando para pagarem os cuidados básicos e essenciais, uma a cada cinco crianças, em todo o mundo, se encontram em extrema pobreza: vivendo com menos de U$ 1,90 por dia.
O direito à vida, previsto também pela declaração, é inerente às crianças. Mas até que ponto elas estão realmente protegidas por ele? Um bilhão de crianças sofre algum tipo de violência ao redor do mundo, seja ela física, emocional ou sexual. A cada cinco minutos uma criança morre vítima de violência. Ainda, a violência não escolhe as crianças por cultura, educação ou classe social: ela ocorre contra crianças seja na escola pública ou privada, em mansão ou em uma casa simples no fim da rua.
Sem precisar cruzar continentes: no Brasil, a cada dia, 32 meninas e meninos de 10 a 19 anos são vítimas de homicídio – sendo o primeiro país em número absoluto de assassinatos de adolescentes no mundo. Estas crianças e adolescentes vivem em situações de vulnerabilidade, afastadas de assistência social, saúde, educação e lazer.
Ainda com enfoque no Brasil, o país hoje é o segundo no ranking de exploração sexual, afetando 500 mil crianças e adolescentes por ano, segundo dados levantados pelo Instituto Liberta. E, segundo Luciana Temer, presidente do Instituto, a realidade é ainda pior devido ao fato de vivermos em uma sociedade machista, onde a figura da vítima desaparece e meninas e mulheres são culpadas pela própria violência a elas causadas.
Hoje, a indústria pornográfica é do tamanho de indústrias como a de álcool e tabaco, mesmo não sendo regulamentada. Em todo o mundo, um dos termos mais pesquisados na internet é “pornô adolescente” e, infelizmente, ainda de acordo com Luciana, é tudo questão de cultura e educação. É preciso encerrar o ciclo pela raiz e evitar que novas gerações naturalizem e banalizem algo tão sério e desastroso.
Se as tendências atuais permanecerem - estimativas ONU e UNICEF
Com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, adotados pela ONU em 2015, houve total comprometimento entre os líderes dos estados-membros em acabar com a pobreza até 2030. Porém, se não forem feitos esforços acelerados, quase 52 milhões de crianças podem morrer antes de completar cinco anos de idade entre 2019 e 2030 – segundo o relatório de estimativa realizado pelo grupo interagências das Nações Unidas – e quase dois milhões de crianças e adolescentes serão mortos por um ato de violência até 2030, segundo o UNICEF.
Educação como proteção
Inúmeras são as situações de abusos impostas a crianças de todo o mundo: abandono, tráfico, violência sexual, homicídio, privação de direitos etc. A Convenção sobre os Direitos da Criança (documento ratificado por 196 países, incluindo o Brasil) prevê o direito à Educação e o UNICEF acredita ser este o caminho para a salvação das crianças.
O primeiro passo é garantir que mais crianças vivam em ambientes escolares, para que menos crianças estejam nas ruas e cada vez menos em situações vulneráveis, já que, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 70% da violência sexual acontece dentro de casa. O segundo passo é implementar uma educação sexual no ambiente escolar e em ambientes familiares, capaz de orientar a criança do que é certo e errado e, principalmente, incentivá-la a denunciar quando necessário e para a autoridade competente.
Em Curitiba, a Associação Passos da Criança cumpre com o papel de levar educação às crianças, atuando com o oferecimento semanal de 16 oficinas socioeducativas direcionadas à arte, cultura, esporte, lazer e cidadania, gerando impacto social através do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, entre 5 e 13 anos, da comunidade Vila das Torres.
Adilson, fundador da Associação, começou a vida, logo aos 5 anos de idade, indo às ruas atrás de auxílio para si e sua família. Aos 15 anos foi acolhido por um abrigo institucional, local onde foi alfabetizado e tornou-se um educador social. Hoje, com a Passos da Criança, ele busca mudança e transformação na vida de crianças da comunidade.
Durante a pandemia do Coronavírus, o trabalho da ONG não parou. A forma de levar educação e desenvolvimento aos pequenos foi reestruturada. Quinzenalmente, os colaboradores da ONG garantem a entrega de kit pedagógicos, os quais incluem atividades diversas para que as crianças possam manter, de certa forma, alguma relação com a escola e o vínculo com a Passos.
Como ajudar
Ao redor do mundo, são várias as Organizações Sociais e Institutos que buscam e lutam todos os dias por um crescimento e vida digna às crianças. Perto de nós, no Rio de Janeiro, há o Instituto É Possível Sonhar, que atende crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência doméstica.
Fundado por Daniela Generoso, hoje mestranda em Psicologia, também vítima de abuso sexual, tortura psicológica e sobrevivente de um lar disfuncional, onde também sofreu maus tratos, o Instituto É Possível Sonhar leva esse nome justamente por, em um mundo onde parece não haver esperança, o Instituto e seus colaboradores são a esperança dessas crianças, como diz Daniela.
Atuando hoje com 60 colaboradores, entre funcionários e voluntários, o Instituto beneficia cerca de 500 mulheres e crianças ao ano, utilizando o apoio psicológico como base no auxílio a essas pessoas. Antes da pandemia do COVID-19, a média de atendimento prestado, por semana, era 5. Atualmente, o número já chegou a 13. O motivo, citado por Daniela, é que, ao contrário do que muitos pensam, a quarentena, movida pelo cenário atual, não gerou um aumento na violência. O que acontece, ainda segundo a fundadora do Instituto, é que hoje o índice de violência e abusos sexuais, entre outros, que são relatados à polícia e demais autoridades aumentou, à mesma medida que as vítimas passam mais tempo em casa com seus agressores.
O Instituto É Possível Sonhar e a Associação Passos da Criança são duas das organizações parceiras da FreeHelper. E você, já voluntário ou não, pode ajudar. Você pode descobrir mais sobre como ajudar o Instituto clicando aqui, com doação de valores, como voluntário ou com o apadrinhamento de uma criança, ou entrando em contato com algum colaborador. E clicando aqui você descobre e escolhe qual a melhor maneira de auxiliar a Associação Passos da Criança.
Organizações Sociais, como a do Adilson, e Institutos, como o da Daniela, precisam de nossa ajuda para que o sonho de uma criança feliz, livre de violência, não seja esquecido, mas sim tratado como prioridade. Porque, afinal, é delas o mundo de amanhã.

Mariana Savaris

Editora Chefe do Blog da FreeHelper

Mariana Savaris é acadêmica de Direito pela Unicuritiba. Atualmente é Editora Adjunta na Alteridade Editora, focada em livros jurídicos. Também é escritora e revisora de livros e artigos, atuando como Editora Chefe do Blog da FreeHelper.

               

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