Desenvolvimento sustentável: o impasse da poluição das águas

16 de setembro de 2021.

Um estudo global publicado há poucos meses na revista científica Nature Sustainability revelou que 80% do lixo encontrado nos oceanos é composto por plástico, revelando ainda que a maior proporção de plástico está presente nas águas superficiais (95%), seguida das costas (83%) e dos leitos dos rios, que apresentam a menor percentagem (49%). Este estudo avaliou 112 categorias de resíduos maiores que três centímetros em sete ecossistemas, como rios, leitos de rios, águas costeiras e águas abertas, sendo que foram consideradas informações de 12 milhões de pontos de observação de 36 bancos de dados em todo o planeta.

As sacolas plásticas, assim como garrafas, recipientes e outras embalagens plásticas, representam quase metade do lixo de origem humana. Os equipamentos de pesca também fazem parte dos dez produtos que juntos respondem por 75% do lixo plástico. Quando analisada a origem do lixo, as sacolas, embalagens e latas representam a maior parte dos resíduos em todos os ambientes (de 50% a 88%), porém, quando considerada a origem em mar aberto, 66% do lixo é proveniente de atividades marítimas.

Esses dados ressaltam o que muitos especialistas defendem: eliminar o consumo de canudos e cotonetes, por exemplo, não vai resolver o problema se outros itens não forem considerados nas ações de prevenção da poluição das águas e se não houver uma conscientização da população.

O lixo segue um longo percurso até chegar aos oceanos, vindo muitas vezes de lugares distantes e, sem o descarte adequado, acabam parando em lixões que frequentemente são próximos a cursos d’água ou são descartados em terrenos baldios, ruas ou mesmo em rios, estes que terão como destino o mar.

A quantidade de lixo que vai parar nos mares e oceanos é tão grande que, por meio de um estudo, a Associação Internacional de Resíduos Sólidos constatou que 25 milhões de toneladas de resíduos são descartadas nos oceanos todo ano, sendo metade deste lixo composto por plásticos.  Além disso, de acordo com Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, o Brasil colabora com pelo menos 2 milhões de toneladas do volume total de lixo oceânico.

Apesar de não constarem em mapas e serem pouco conhecidas, existem 5 ilhas de plásticos flutuantes que afetam todo ecossistema marinho, conforme apresentado na figura da Iberdrola. Essas ilhas são basicamente grandes concentrações de lixo, formadas predominantemente por microplásticos. As ilhas são um resultado de mais de seis décadas de descarte inadequado de lixo que foi parar nos oceanos.

Fonte: Iberdrola

 

Com a intenção de uma maior conscientização, foram instituídos o Dia Mundial da Limpeza da Água, em 19 de setembro, e o Dia Mundial da Limpeza de praias, em 20 de setembro, ambos propõem a melhor compreensão das necessidades de preservação da qualidade e limpeza da água. Relativo ao Dia Mundial de Limpeza das Praias, o mesmo ocorre em cerca de 120 países, em que milhares de voluntários recolhem o lixo das praias e catalogam tudo o que é encontrado. Essas informações podem levar à origem dos detritos e ajudar na busca por soluções. No Brasil, as atividades ocorrem desde 1993, envolvendo 25 mil pessoas.

Como recurso hídrico indispensável para garantir nossas vidas, torna-se cada vez mais importante a conscientização sobre a melhor forma de tratamento da água como base da vida. Apesar de haver processos como tratamento ou dessalinização da água que facilitam seu cuidado, é necessário evitar sua contaminação. Entre as consequências da poluição e contaminação, estão o desaparecimento da biodiversidade e dos ecossistemas aquáticos, pelos quais os humanos também são prejudicados em razão da alteração na cadeia alimentar e pela contração de doenças ao beberem ou usarem água contaminada.
A água está relacionada com as três dimensões do desenvolvimento sustentável – ambiental, econômica e social. Os recursos hídricos, bem como os serviços a eles associados, amparam os esforços de erradicação da pobreza, de crescimento econômico e da sustentabilidade ambiental. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os oceanos tornam a vida humana possível por meio da provisão de segurança alimentar, transporte, fornecimento de energia, turismo, dentre outros. Além disso, regulam muitos dos serviços ecossistêmicos mais críticos do planeta, como ciclo do carbono e nitrogênio, regulação do clima, e produção de oxigênio.
Dois Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU abordam diretamente o tema água. O ODS 6 tem como objetivo assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos, enquanto o ODS 14 visa a conservação e promoção do uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Aqui no blog já há artigo publicado sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), basta acessar aqui para conferir.

Fonte: Ministério da Saúde – Governo Federal do Brasil

 

Uma organização que trabalha por mares mais seguros e limpos é a Parceiros do Mar, uma instituição paranaense fundada em 2012 que atua com a promoção de ações de proteção do oceano e dos ambientes costeiros em conjunto com a comunidade, em busca de um equilíbrio entre o ambiente e atividades socioeconômicas locais.

De acordo com a instituição, dentre as ações da ONG destacam-se os mutirões de limpeza de praia, palestras em instituições de ensino e participação em eventos com o intuito de sensibilizar a população sobre os impactos da ação humana nos oceanos, buscando semear nos cidadãos a vontade de garantir a preservação dos ambientes costeiros e da vida.
Algumas atitudes podem ajudar a manter os rios e oceanos limpos, como:
  • Descartar o lixo no lugar mais adequado possível e amarrar bem os sacos antes de colocar nas lixeiras;
  • Evitar copos, sacolas e embalagens descartáveis, principalmente de plástico;
  • Realizar a separação adequada do lixo;
  • Apoiar as organizações que trabalham para erradicar o plástico oceânico;
  • Contribuir para a divulgação do problema e conscientizar as pessoas que vivem perto de você;
  • Participar de jornadas de limpeza em mar aberto e áreas costeiras para a recuperação e reciclagem de resíduos;
  • Alertar as autoridades sempre que você ficar sabendo ou presenciar infrações relacionadas com a gestão dos resíduos plásticos;
  • Não descartar o óleo de cozinha no ralo;
  • Não descartar medicamentos ou outros materiais no vaso sanitário.
  E aí, vamos colocar em prática e impactar positivamente na busca pelo desenvolvimento sustentável?

Gabriela Maia

Engenheira Florestal

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2018. Atualmente cursa MBA em Gestão Ambiental pela UFPR e trabalha na Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE). Participa com voluntária no Youth Action Hub (YAH), no desenvolvimento de projetos vinculados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

               

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