Como medir sustentabilidade?

03 de dezembro de 2020
A temática sustentabilidade tem sido um dos assuntos mais comentados, pois além de ser cada vez mais considerada nos sistemas produtivos, pela pressão devido ao esgotamento dos recursos naturais, também é pautada nas mudanças climáticas e até mesmo como premissa para novos investimentos. Sendo assim, o desenvolvimento sustentável é, atualmente, uma das maiores preocupações da humanidade.
De acordo com o relatório “Statement on the State of the Global Climate in 2019”, da World Meteorological Organization (WMO), publicado neste ano, as mudanças climáticas já são visíveis de diversas maneiras. A temperatura média global em 2019 foi 1,1 ± 0,1°C acima dos níveis pré-industriais e os últimos cinco anos foram os cinco mais quentes já registrados, sendo que a última década foi a mais quente já notada. As emissões de gases de efeito estufa atingiram níveis recordes em 2018 e em 2019 e o nível médio global do mar atingiu seu maior valor desde o início do registro de altimetria de alta precisão, em janeiro de 1993. Além disso, ondas de calor combinadas com longos períodos de seca, estiveram ligados a incêndios florestais de tamanho sem precedentes.
No entanto, a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade vai muito além dos cuidados com o meio ambiente, apresentando também uma perspectiva social mais abrangente, como direitos humanos e questões de desenvolvimento social. Seguindo esse alinhamento, a sociedade demanda por organizações focadas no objetivo socioambiental e a sua transparência quanto as suas ações.
Uma indústria sustentável, além de ser ambientalmente correta, é também um ponto positivo para a competitividade de uma instituição. Uma pesquisa realizada pela Union + Webster apontou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis. A pesquisa ainda revelou que 70% dos entrevistados afirmaram que não se importam em pagar um pouco mais por isso.
Nesse cenário, o relatório de sustentabilidade surge como importante ferramenta para que empresas sustentáveis apresentem seus indicadores sociais, econômicos e ambientais com maior transparência. Através deste documento, a organização define suas expectativas de desenvolvimento sustentável, tanto as externas quanto as internas, envolvendo colaboradores, stakeholders, fornecedores, clientes e a sociedade em que está inserida.
O Global Reporting Initiative (GRI) é a organização internacional independente, com sede em Amsterdã, na Holanda, que apoia organizações a se responsabilizarem por seus impactos, através de uma linguagem comum global para relato. O GRI criou os padrões mais amplamente usados no mundo para relatórios de sustentabilidade. Segundo o GRI, os benefícios do relatório de sustentabilidade são percebidos em diferentes escalas, podendo atenuar ou reverter os impactos negativos ambientais, sociais e de governança; melhorar a reputação e lealdade à marca; e permitir que as partes externas interessadas entendam o verdadeiro valor da organização.
Outra iniciativa, pioneira na América Latina, é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado em 2005 e quarto indicador no mundo, resultado de esforços de várias instituições no sentido de torná-lo referencial para os investimentos sustentáveis. É uma ferramenta estabelecida para analisar a performance das empresas em aspectos sustentáveis, com a finalidade de criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade e estimular práticas mais sustentáveis nas empresas.
De acordo com o ISE, companhias com aderência às boas práticas administrativas, sociais e de sustentabilidade podem evitar perdas financeiras ocasionadas por disputas trabalhistas ou multas por danos ambientais, gerando valor no longo prazo para o acionista.
Nos relatórios de sustentabilidade dos últimos anos é comum observar a descrição das ações das empresas que estão ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), por indicação das diretrizes do próprio ISE.
Os ODS compõem uma lista de tarefas para todas as pessoas, em todas as partes, a serem cumpridas até 2030. Também conhecidos como Objetivos Globais, são um chamado universal para ação contra a pobreza, proteção do planeta e para garantir que todas as pessoas tenham paz e prosperidade até 2030. Esses 17 Objetivos foram construídos com o sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, incluindo novos temas, como a mudança global do clima, desigualdade econômica, inovação, consumo sustentável, paz e justiça, entre outras prioridades. Os objetivos são interconectados, ou seja, o sucesso de um ODS envolve o combate a temas que estão associados a outros objetivos.
Outro conceito que vem sendo muito comentado é o ESG (do inglês Environmental, Social e Governance), em português para as siglas Ambiental, Social e Governança, diz respeito aos critérios aplicados às empresas que, além dos aspectos financeiros, se comprometem em adotar iniciativas de sustentabilidade e o impacto eticamente responsável de seus investimentos.
Os critérios ESG estão fundamentados no Principles for Responsible Investment (PRI), os quais, com apoio da ONU, foi lançado em 2006 e conta com mais de 2.300 instituições financeiras participantes. Estas instituições, de forma voluntária, participam tornando-se signatárias dos seis princípios-chave do PRI e, entre seus compromissos, apresentam relatórios regulares sobre seu progresso.
Os investimentos sustentáveis estão ganhando ainda mais importância com a pandemia do novo coronavírus. O meio ambiente e as relações humanas passaram a ser assuntos mais estratégicos às mesas redondas das organizações. No Brasil, investimentos sustentáveis ainda são recentes, mas com certa expansão. É uma tendência irreversível que deve influenciar diversos segmentos.
Dentre as instituições parceiras da FreeHelper, o Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), fundado em 1991, possui o objetivo de difundir a educação ambiental e conceitos de sustentabilidade. De acordo com Rogério Iorio, presidente nacional da organização, em 2007 o instituto realizou um projeto de recuperação de áreas degradadas em um parque estadual de São Paulo que se transformou em um programa de neutralização de carbono. De 2009 até hoje foram realizados 190 projetos com empresas e eventos dos mais variados seguimentos e foram plantadas mais de 226 mil árvores nesse parque.
Para participar as empresas devem preencher um formulário com dados de suas fontes emissoras e após alguns cálculos as emissões são convertidas em árvores a serem plantadas. Para estas empresas são emitidos certificados com dados em GPS da localização das árvores e um selo de empresa neutra de carbono. Para mais informações sobre o IBDN acesse: http://ibdn.org.br/
Outra instituição que atua no setor da sustentabilidade, e que também é parceira da FreeHelper, é o INCT – Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação CO2 Zero – , que possui a missão de "Promover atividades de caráter científico, tecnológico e de inovação como mecanismo estratégico para fomentar o desenvolvimento econômico, social e ambiental, e atuar sobretudo na conscientização da sociedade brasileira em relação a necessária adaptação e mitigação das mudanças climáticas, objetivando a continuidade de todas as formas de vida da Biosfera para o bem estar da presente e das futuras gerações".
De acordo com Marcus Vasconcellos, presidente do instituto, a organização desenvolve a gestão de carbono que consiste em Plano de Inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE), Planos de Adaptação e Mitigação aos efeitos das mudanças climáticas e as emissões de GEE e Planos de Neutralização e Compensação de Emissões de GEE.
Todo trabalho de Gestão de Carbono é integrado aos indicadores da Agenda 2030 e Triple Botton Line (TBL). Segundo Marcus, o trabalho do instituto é fazer o ciclo do carbono chegar às comunidades tradicionais e vulneráveis, além de criar cadeias produtivas de valor, para que haja o verdadeiro empoderamento destas comunidades. Para mais informações sobre o INCT CO2 Zero acesse: www.inct.org.br

Gabriela Maia

Engenheira Florestal

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2018. Atualmente cursa MBA em Gestão Ambiental pela UFPR e trabalha na Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE). Participa com voluntária no Youth Action Hub (YAH), no desenvolvimento de projetos vinculados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

               

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