A conservação do solo para a manutenção do ecossistema terrestre

09 de dezembro de 2021.

 

O dia 05 de dezembro foi instituído pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) como o Dia Mundial do Solo. Após a sua criação, em 2013, a data vem sendo comemorada com o objetivo de divulgar a importância dos solos para a manutenção da vida no planeta.

O relatório da FAO “State of knowledge of soil biodiversity”, publicado em 2020, destaca que a biodiversidade do solo pode constituir uma solução real baseada na natureza para a maioria dos problemas que a humanidade enfrenta hoje, seja no campo ou em escala global. Assim, os esforços para conservar e proteger a biodiversidade do solo são indispensáveis, pois neles temos mais de 25% da biodiversidade total do nosso planeta.

Adicionalmente, o relatório da FAO “Global assessment of soil pollution”, publicado este ano, faz um alerta sobre a poluição dos solos, que, apesar de invisível aos nossos olhos, compromete a qualidade dos alimentos, da água e do ar, além de colocar a população e a saúde ambiental em risco. De acordo com o relatório, a maioria dos contaminantes tem origem de atividades humanas, como processos industriais e de mineração, má gestão de resíduos, agricultura com práticas insustentáveis e acidentes que vão desde pequenos derramamentos de produtos químicos até acidentes em usinas nucleares.

O relatório destaca, ainda, o reconhecimento internacional de que a poluição do solo é uma grande ameaça à saúde, pois afeta a capacidade do solo para fornecer serviços de ecossistemas, incluindo a produção de alimentos seguros e suficientes, comprometendo a alimentação global segurança. A poluição do solo também dificulta a realização de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), como os ODS 1, 2, 3, 5, 6, 11, 13, 14 e 15.

Foto: Relatórios - FAO 2020/2021

Quando falamos em conservação dos solos, os desafios ainda são muitos. Como exemplo, a campanha deste ano da FAO aponta a salinização dos solos como ameaça à segurança alimentar. Segundo a organização, 833 milhões de hectares de solos já estão sendo afetados pelo sal, sendo que os solos são a base da agricultura e que os produtores dependem deles para produzir 95% dos alimentos que consumimos.

A pesquisa realizada pela FAO também revelou que 55% dos países analisados não têm capacidade para avaliar a qualidade dos seus solos, sendo que muitas nações da África e Ásia nem conseguem atingir metas nacionais. A campanha também destaca outro problema que afeta a produção agrícola: o uso de plástico, dado que este material nos solos apresenta um perigo aos seres humanos e aos ecossistemas, uma vez que microplásticos que foram desintegrados podem conter pesticidas e entrar na cadeia alimentar, causando danos à saúde.

Foto 2: Campanha dia mundial dos solos - FAO 2021

BRASIL

Apesar de esses dados serem um alerta, algumas ações vêm sendo realizadas a fim de reverter esse cenário. Durante a COP26, principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas, realizada em novembro deste ano em Glasgow, na Escócia, foram apresentados mapas que retratam o estoque de carbono nos solos brasileiros e que servirão como base para elaboração de políticas visando ações mais sustentáveis. Com o trabalho serão identificadas as potenciais áreas no Brasil para a prática de economia verde, impactando positivamente no cumprimento dos compromissos brasileiros para a mitigação das mudanças climáticas, por exemplo. Este levantamento de informações atuais e de qualidade é fundamental para o desenvolvimento de ações de conservação dos solos.

O trabalho de mapeamento faz parte do PronaSolos, programa que visa fomentar o conhecimento sobre os solos brasileiros a partir do mapeamento de todo o território nacional. Essas informações contribuirão para a potencialização da produtividade agrícola, otimização da expansão urbana, prevenção de riscos e catástrofes, valorização de terras e concessão de crédito agrícola. O PronaSolos teve início em 2015, com a constituição de um grupo de trabalho coordenado pela Embrapa Solos e composto por profissionais de outras entidades de pesquisa. Apesar da criação em 2015, o programa foi oficializado apenas em 2018 com a assinatura do Decreto nº 9.414.

Uma instituição que vem trabalhando com práticas que visam a conservação dos solos é o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, organização brasileira sem fins lucrativos que trabalha pela conservação da biodiversidade do país por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis. O IPÊ foi fundado em 1992 e tem sede em Nazaré Paulista, São Paulo.

Presente em diversos biomas brasileiros, o Instituto realiza cerca de 30 projetos ao ano, aplicando o Modelo IPÊ de Conservação, que envolve pesquisa científica de espécies, educação ambiental, envolvimento e mobilização comunitária, conservação de habitats e da paisagem e apoio à construção de políticas públicas. Além de projetos locais, o Instituto também implementa trabalhos em diversas regiões, seguindo os temas Áreas Protegidas, Áreas Urbanas e Pesquisa & Desenvolvimento (Capital Natural e Biodiversidade).

O projeto “Semeando Água”, realizado pelo instituto IPÊ em parceria com a Petrobras, atua no Sistema Cantareira, maior sistema de captação e tratamento de água na grande São Paulo, promovendo educação ambiental, cursos e práticas para melhoria do uso do solo junto a produtores rurais, engajamento social, restauração do solo e políticas públicas em favor da melhoria ecológica.

Outra iniciativa de impacto é o Programa de Extensão Universitária Solo Na Escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que tem o objetivo de promover, entre os professores e estudantes do ensino fundamental e médio, a conscientização de que o solo é um componente do ambiente natural que deve ser adequadamente conhecido e preservado tendo em vista sua importância para a manutenção do ecossistema terrestre e sobrevivência dos organismos que dele dependem. O programa atua com o desenvolvimento de material didático sobre solos para o ensino médio e fundamental; capacitação de professores e aprimoramento de mecanismo de ensino por meio de exposições didáticas de solos, que levam o conhecimento de forma dinâmica com coleções, experimentos e banners.

Se você chegou até aqui é porque já leu um pouco mais sobre os alertas em relação aos solos mundiais e brasileiros e conheceu iniciativas que atuam objetivando coletar e disseminar informações, capacitar profissionais e implementar práticas que visam a conservação dos solos. Se você tem o interesse em aprofundar seus conhecimentos nessa área, é a sua vez de contribuir! Conecte-se com essas e outras organizações que trabalham em prol dos solos e faça a diferença.

Gabriela Maia

Engenheira Florestal

Engenheira Florestal e especialista em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente trabalha na Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE) e participa com voluntária no Youth Action Hub (YAH), no desenvolvimento de projetos vinculados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

               

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